Close

Not a member yet? Register now and get started.

lock and key

Sign in to your account.

Account Login

Forgot your password?

Contraste

Nossa percepção visual é baseada em contraste, através dele percebemos tudo a nossa volta. Para a nossa discussão sobre luz e iluminação falaremos sobre o contraste da cena como um todo. Devemos, antes disso, analisar alguns conceitos, tais como, o contraste da iluminação como um todo, o contraste de cada luz que incide sobre um sujeito bem como o das sombras projetadas pelas fontes de luz e como estas podem variar ao longo do sujeito. Também vamos observar aqui o contraste do próprio sujeito. Reunindo todas estas variáveis, percebemos que o conceito do contraste de uma imagem é algo mais complexo do que se imagina à primeira vista.

Qualidade de uma fonte de luz

Quando dizemos que uma fonte de luz apresenta alto contraste, estamos particularmente analisando o impacto que a mesma tem em determinado sujeito iluminado, principalmente considerando o aspecto das sombras projetadas em função desta fonte de luz.

Usamos aqui o termo “fonte” de luz, é importante não confundir com o que chamamos de “origem” da fonte luminosa, pois o que vale aqui é o último modificador que interfere na luz antes dela atingir o sujeito. Por exemplo, quando temos uma lâmpada passando por um difusor acrílico, a origem é a lâmpada, mas a fonte luminosa passa ser a superfície difusora. Da mesma forma, se temos uma lampada rebatida em uma grande placa de isopor, a origem é a lâmpada, mas a fonte passa a ser o próprio isopor.
Também temos que considerar que a mesma fonte de luz pode ter alto ou baixo contraste, dependendo do tamanho do sujeito iluminado e seu posicionamento, então neste caso aqui consideraremos sempre a luz relativamente a um sujeito fixo.

Basicamente, uma fonte de luz é chamada de luz de alto contraste quando seus raios atingem o sujeito com aproximadamente o mesmo ângulo de incidência. Ao contrário, os raios emitidos por uma fonte chamada de baixo contraste geralmente atingem o sujeito com ângulos de incidência diferentes.

Consideremos o sol aberto como luz de alto contraste, é fácil imaginar que os raios que ele projeta sobre nós humanos nos atingem praticamente com o mesmo ângulo de incidencia em uma determinada hora do dia.

A principal consequência de uma luz de alto contraste incidindo sobre um sujeito é a aparência das sombras que ele projeta. A borda das sombras tende a ser nítida, principalmente se projetadas próximas, é o que chamamos de sombras duras. Podemos então dizer que uma fonte de luz de alto contraste é em relação a determinado sujeito uma fonte de luz dura.

Seguindo o mesmo raciocínio, uma fonte de luz cujos raios incidem em determinado sujeito através de uma grande quantidade de ângulos diferenets projeta uma sombra cuja borda é indefinida, suave, e as vezes quase invisível. Chamaremos esta fonte de luz em relação a este sujeito de luz suave, pois projeta sombras suaves.

Em uma luz suave a passagem da área corretamente exposta para a área de sombra é suave, a área de penumbra é maior. Em uma luz dura essa passagem é uma linha definida.

Um céu nublado é consuderado uma fonte de luz suave em relação a nós, pois os raios nos atingem com vários ângulos diferentes. Neste caso, o sol ainda é a origem da luz, mas a fonte luminosa passa a ser as próprias nuvens.

Então podemos tirar a primeira conclusão importantíssima para o entendimento das fontes luminosas e seus efeitos sobre o sujeito: “O contraste de uma fonte de luz é inversamente proporcional ao tamanho da fonte luminosa”.

Opa, espere aí, mas alguém pode questionar o porquê do sol ser considerado uma fonte de luz dura se na verdade trata-se da maior fonte de luz que conhecemos? É simples, se estivéssemos circundando a orbita solar na nossa nave à prova de calor, a luz que ele projetaria sobre nós seria uma luz suave, criando sombras suaves. Porém, aqui na terra, a distância é tão grande que ele é aparentemente pequeno! Então podemos reformular a frase:

“O contraste de uma fonte de luz é inversamente proporcional ao tamanho da fonte luminosa em relação ao sujeito”.

Sendo assim, uma lâmpada soft caseira pode ser uma fonte de luz dura (alto contraste) em relação à nós, mas ao mesmo tempo pode ser uma fonte de luz suave se posicionada próxima a um grão de arroz, por exemplo.

Da mesma forma, um hazy ligh, que é conhecido por ser uma fonte de luz suave para iluminar um rosto, se transforma em uma fonte de luz dura se colocado à uma grande distância de uma pessoa.
Sendo assim, não podemos afirmar com categoria se uma fonte de luz é suave ou dura sem antes analisar o sujeito e seu posicionamento em relação a esta fonte!

Vamos nos aprofundar na discussão e mostrar que uma mesma fonte de luz, fixa em relação a um sujeito, também pode pode projetar ao mesmo tempo sombras duras e suaves.

1) Strip light – vamos iluminar uma caneta com um strip light e reparar como, ao posicionar o modificador paralelo ou perpendicular ao sujeito, obtemos bordas de sombras diferentes!

2) Distância variável do fundo – levantando a caneta, observe como a borda de sombra se desfoca com a distância.

Depois de analisarmos tudo isso, é impossível afirmar que uma fonte de luz é dura ou suave apenas olhando pra ela. Precisamos saber quem é o sujeito e onde está posicionado em relação à fonte de luz, para aí sim tirarmos uma conclusão.

Neste momento temos que frisar que estamos usando a definição de luz dura (alto contraste) ou suave (baixo contraste) apenas no que se refere à natureza das sombras projetadas, não está em discussão o quanto essas sombras são escuras ou claras! É aí que entra o contraste da iluminação.

Também não estamos nos preocupando com as características do sujeito, que pode ser um gato branco deitado em um piso branco ou poderia ser o mesmo felino deitado em um piso preto, situações opostas em termos de contraste.

Contraste da iluminação

Depois de entendermos como uma fonte de luz se comporta em relação ao contraste das sombras que ela faz um objeto projetar, temos que analisar o contraste que a iluminação do sujeito apresenta.
Pra começar, eu gosto sempre de dizer que “iluminação” é muito mais uma questão de sombras do que da própria luz.

Mas qual a diferença entre os conceitos de luz e iluminação?

Chamamos de iluminação o conjunto das luzes que incidem em um sujeito, sejam elas diretas ou indiretas. O sujeito é parte importante na definição de iluminação, sem ele o conceito não existe, pois algo sempre tem que estar iluminado. Outra variável que completa a definição é o eixo da camera em relação ao sujeito.

Iluminação depende não só da luz, mas também do sujeito e do ponto de vista. Uma iluminação que serve bem para um sujeito pode ser um desastre para outro. Uma iluminação que funciona bem para um ângulo de um sujeito pode se perder caso o sujeito seja girado alguns graus. Uma iluminação pode ser belíssima se vista de um ponto de vista, mas pode ser totalmente desinteressante se o observador se deslocar alguns passos.

Vamos chamar de iluminação de alto contraste aquela onde existe muita diferença entre as sombras e as áreas corretamente expostas.

Considere um rosto em um campo vazio (sem paredes ao redor). Vamos iluminar este rosto lateralmente com uma fonte de luz dura (flash aberto). O que vemos é de um lado o rosto corretamente exposto e do outro a ausencia da luz. Como não existe nada rebatendo a luz no lado oposto, é algo como a lua iluminada pelo sol, não se enxerga nada do outro lado.

Agora vamos colocar um hazy grande na nossa fonte de luz e ajustar a exposição de modo a expor corretamente o lado iluminado do rosto. O que teremos no lado oposto? A ausencia da luz principal, preto absoluto.

Ou seja, em ambos os casos o contraste da iluminação é grande. Mas o que mudou de uma luz para a outra? A dureza das sombras, a forma dos brilhos especulares. Além disso, a transição entre a área corretamente exposta e a área de sombra é mais suave ou mais drástica, conforme muda a luz.
Agora vamos colocar um rebatedor branco e repetir as duas fotos. Repare como o contraste da iluminação diminui em ambos os casos.

Analisando os 4 casos, concluimos que temos luz dura compondo uma cena de baixo contraste, luz dura em uma cena de baixo contraste, luz suave em uma cena de alto contraste e luz suave em uma cena de baixo contraste.