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Função

Quando analisamos um esquema de luz, a primeira coisa que temos que ter em mente é que todas as fontes de luz devem necessariamente ter uma função definida. Ou seja, ela está ali por um motivo importante, está cumprindo uma função e está posicionada e regulada da melhor forma para cumprir essa função. Devemos então, iluminar consciente e economicamente, pensando passo a passo no porquê das fontes de luz existirem e na melhor posição delas em relação ao eixo camera-objeto.

Para facilitar esse processo, precisamos criar nomenclaturas, isso facilitará o entendimento entre nós fotógrafos e nos guiará no processo de obtenção de uma iluminação competente.

Luz principal (key-light)

Pense na luz principal como sendo o sol em uma cena comum de dia ensolarado ou nas nuvens em um dia nublado. É o que muitos chamam de luz principal.

Consideremos um corpo no espaço sendo ilminado pelo sol. Com a ausência de outros elementos cercando o sujeito, o lado não iluminado pelo sol ficará completamente no escuro, totalmente preto. Devemos analisar nossa luz principal dessa forma, isolando-a das diversas compensações que o entorno causa. É por isso que uma série de fotógrafos gosta de trabalhar em um estúdio totalmente preto, pois as luzes funcionam de forma independente, conservando suas sombras naturais, e todo o preenchimento é feito intencionalmente pelo próprio fotógrafo através de rebatedores e outras fontes de luz, em um estúdio todo branco esse preenchimento acaba acontecendo “sem querer”, e o fotógrafo acaba perdendo um pouco o controle.

Preenchimento (fill-light)

Endender o conceito de luz de preencimento vai nos reforçar o conceito de luz principal. Também chamada de “fill-light” e mal traduzida como “luz de enchimento” é uma luz importante, que busca compensar essas sombras profundas que se formam na superfície do sujeito que a luz de ataque não atinge. Mais importante que isso, a luz de compensação tem a finalidade de nos passar a informação de que o sujeito não está isolado no espaço sideral, que existe algo à sua volta, desde que , obviamente, seja intenção do fotógrafo tratar como tal.

Pra entendermos melhor, vamos imaginar um sujeito sob o sol aberto, em uma praia. Por mais que as sombras sejam duras e contrastadas, elas não são totalmente pretas, existe luz nelas, pelo simples fato da areia brilhante e também fortemente iluminada pelo sol atuar como uma compensação nessas sombras. Uma forma de criar uma compensação mais eficiente seria aproximar do um grande rebatedor.

Analisando mais a fundo essa luz do sol, percebemos que é impossível aqui na terra ele atuar sozinho, sempre existe alguma coisa iluminada por ele que ajudará na nossa iluminação, desde a atmosfera, algumas nuvens esparsas, a grama, uma parede, etc., ou seja, a situação de uma luz apenas e o resto todo escuro, é algo que não existe na nossa natureza. Então, para reproduzir corretamente em estúdio o ataque da luz do sol, podemos endenter que junto a um refletor quase pontual, podemos acrescentar uma enorme compensação frontal, representando o enorme céu brilhante.

O segredo de toda a iluminação reside na escolha da relação entre a luz de ataque e a compensação. Essa relação define entre outras coisas o contraste da iluminação, que aparência as sombras terão em relação à tonalidade do sujeito.

Uma importante característica de uma luz de enchimento bem feita é que ela não deve projetar mais sombras concorrentes com a luz principal, ela deve ajudar a luz de ataque e não criar mais problemas. Devemos portanto definir a intensidade, qualidade e direção da luz de enchimento de modo que ela não interfira na intenção da luz principal.

Como fazemos esta luz de enchimento? É simples, primeiro sabemos que ela deveinterferir o menos possível na intenção da luz principal, ora, se a luz principal já está criando sombras em uma direção definida, não faz sentido posicionarmos o enchimento de modo que ele projete sombras no sentido contrário, isso é menos efetivo como preenchimento de sombras e ainda reduz a intenção da luz principal. Outro dado é que geralmente o enchimento é uma luz suave, projeta sombras suaves e jamais deve sobrepor a luz principal. Sendo assim, chegamos à conclusão de que nossa luz de enchimento será uma grande fonte de luz posicionada frontalmente, ou seja, atrás da câmera.

Muitos fotógrafos usam o clássico esquema de duas fontes a 45 graus, uma principal e outra preenchendo, todo esquema é válido desde que a foto fique boa, mas vamos analisar juntos sobre esse preenchimento. Imagine esse esquema 45×2 iluminando uma bola de futebol, a fonte principal é um hazy à esquerda, ele dá volume à bola, mas cria sombras escuras no lado direito. Se preenchermos do lado direito deixaremos duas áreas da bola completamente na sombra, acima e abaixo do eixo vertical, além de iluminarmos uma parte da bola invisível através câmera. Ou seja, estamos perdendo luz e eficiência. Outro problema é que esse preenchimento briguento também tira parte da intenção volumétrica da fonte principal. Agora, preenchendo frontalmente, cobrimos todas as sombras visíveis através da câmera, mantemos a intenção de volume da fonte principal intacta. O único problema é que geralmente dá mais trabalho preencher frontalmente, como a distância aumenta, pois temos que colocar a câmera entre a fonte e o sujeito, a fonte tem que ser grande. Pode ser uma parede, pode ser um octobox, pode ser um painel.

Muitos podem, por razões artísticas, criar uma iluminação sem preenchimento, de fato, isso existe muito e é bonito. Nestes casos, dizemos que ele usou preenchimento “zero”, ou seja, o preenchimento sempre existe, mesmo que seu valor seja zero.

Contraluz

… em desenvolvimento.